quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Notas de fim de ano

2012 vai embora daqui a pouco, deixando como qualquer ciclo uma série de fatos notórios que na visão histórica tradicional seria compilado nos livros.

Eu, que nunca fui historiador, no máximo um professor esforçado de tal disciplina, atrevo-me a elencar três acontecimentos que marcaram a passagem deste ano em trê níveis: federal, estadual e municipal. Adotemos, pois, esta didática e comecemos do "menor para o maior".


As eleições municipais

Em todas as cidades com a qual tenho alguma relação houve a renovação. Renovação da tradição, do atraso e perpetuação das mazelas já conhecidas. Exceção foi a nossa União dos Palmares que surpreendeu. O povo, na privacidade da urna, derrubou o favoritismo de Manoel Gomes de Barros, o Mano, e elegeu Beto Baía como prefeito. Como podem perceber em crônicas do início do pleito, eu sempre demonstrei suspeita sobre a possível vitória de Baía, haja vista o apelo e hegemonia política de Mano. Agora o novo prefeito encontra uma União dos Palmares com graves problemas e cheia de vícios: trânsito caótico, escolas decadentes, atendimento de saúde insuficiente, falta de política pública para a juventude etc. O desafio é grande, ainda mais se colocarmos em conta os compromissos de campanha que o novo prefeito assinou. A autoestima do palmarino está baixa e se revigorou um pouco com esta expectativa de mudança. Tomara que o povo não seja lesado. O povo sabe dar a resposta, não o subestimem!

Violência e educação

Alagoas novamente foi manchete nacional pelos piores motivos: aumento da violência e descaso total com a educação. Resultado: o estado é o campeão em criminalidade, várias cidades antes pacatas agora têm de conviver num clima de insegurança jamais visto. Drogas, assassinatos, roubos frequentes diante de uma força policial reduzida, mal aparelhada, com um modus operandi do tempo da escravatura em todos os sentidos, inclusive na hora de apontar a arma e matar o primeiro negro pobre suspeito.

O alto índice de criminalidade deflagra não à toa o péssimo índice de educação em Alagoas. Crianças e jovens que deveriam estar na escola, estão nas ruas, nas vielas, sobrevivendo como as circunstâncias possibilitam. O governo tucano do senhor Teotônio Vilela simplesmente fechou os olhos para nossos meninos e meninas que crescem sem expectativas, sem oportunidades que bem sabemos só a educação de qualidade oferece ao filho do trabalhador. As notícias são as piores, desde a falta de professores ao atraso das reformas prometidas para conclusão neste fim de ano, que se delongará por mais 90 dias. Absurdo é pouco.

E nem quero aprofundar sobre o trato desonesto que o governo dá às universidades estaduais, a Uneal em especial por eu fazer parte. Técnicos e professores desvalorizados, sem carreira e salário compatíveis com a função exercida numa autarquia, alunos forçados a estudarem em carteiras de séries iniciais no Campus de União dos Palmares. Para se ter uma ideia mais medonha, o cerimonial do governo gasta mais com cafezinho do que com a Uneal anualmente, nas palavras do professor Luizinho. Ainda assim, resistimos por acreditar no papel da nossa instituição para o povo alagoano do interior, sobretudo.

Ação Penal 470, vulgo Mensalão

Deu preguiça de acompanhar, e falta de tempo também. Portanto, vou apenas me deter à impressão que tive disso tudo. Por meses, foi o assunto mais comentado pela mídia nativa com o intuito de desconstruir o  Partido dos Trabalhadores, a imagem de Lula e todos aqueles que são apoiados pelo ex-presidente mais popular do Brasil. Culpados ou inocentes, seja do PT ou não, que cada réu arque com as consequências dos seus atos. Se o Supremo Tribunal Federal quis demonstrar o seu "renascimento" ao brasileiro, talvez tenha conseguido. Mas ficamos sempre na expectativa que este julgamento não se torne uma exceção. Está na hora de desengavetar crimes tão nefastos quanto desta ação penal. Como os casos decorridos no governo FHC, até hoje na poeira.

O STF evoluiu como nunca na história deste país, graças à postura republicana do ex-torneiro mecânico, que tratou com isenção cada escolha para ministro. Hoje temos um poder soberano, preocupado com os problemas na nação, como no caso do sistema de cotas, essencial para criar oportunidades à população excluída.

Porém, não nos iludamos. Por trás de cada um há sempre um interesse. Os ministros Fux, Marco Aurélio e Gilmar Mendes que o digam. Esta sensação que tentam passar de que os crimes não ficarão mais impunes não me convenceu, apesar dos avanços. E esse tipo de contradição é um prato cheio para a mídia que outrora achincalhava Joaquim Barbosa e hoje o exalta por cumprir seu papel.

Estamos indo... sabe lá até quando ou onde.

O Brasil tem tudo para dar certo, mas precisa ainda de tanto que dá a sensação de que não estarei vivo para ver isso. No entanto, eu sonho porque "senão as coisas não acontecem", como diria o grande Oscar Niemeyer.

Continuemos vivos e atentos em 2013.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Salve à coexistência!

Padre Cícero ao lado de Iemanjá: coexistência pacífica.
(Foto: JMN)
O debate sobre religião sempre se "renova" de tempos em tempos. Nesta segunda-feira, 22, começou a nova novela de Glória Perez, Salve Jorge, no horário nobre da Globo. E, claro, o termo originário dos cultos afrobrasileiros incomodou muita gente. São Jorge, que segundo a lenda cristã matou um dragão e vive na Lua, é sincretizado como Ogum, o orixá guerreiro.

Circularam pelo Facebook as típicas imagens combinadas com texto alertando aos cristãos do perigo que a expressão "Salve Jorge" poderá acarretar à integridade espiritual de cada fiel. Até aí, tudo bem, se você ler a mensagem apenas pelo viés do "querer bem aos semelhantes".

A mim incomodou bastante. Primeiro, porque em toda a mídia nenhum babalorixá ou ialorixá sai esbravejando que os cultos cristãos são "demoníacos", nem andam chutando santas ou fazendo piadas de práticas inusitadas como por um copo d'água em cima da televisão enquanto o pastor ora do outro lado. Nenhum representante das religiões de matriz africana tem aparato suficiente para responder na mesma proporção ao dano causado à imagem desses cultos. É um combate desigual e injusto. Segundo, porque a mensagem subliminar apregoa que tudo que vem da fé africana é um mal a ser combatido, resultando em segregação aos praticantes, em geral negros e pobres habitantes das periferias.

Esse tipo de proselitismo só aprofunda ainda mais as desigualdades sociais, disseminando uma ideologia nefasta, que leva, inclusive, ao desrespeito ao Estado laico e atenta contra a liberdade de culto prescritos na Constituição brasileira de 1988 (não confundir com 1889, um ano após a Abolição).

A intolerância religiosa persiste, enquanto o mito da cordialidade brasileira se torna mais espúrio. Como também afirmar que onde os cristãos são minoria eles são perseguidos não legitima seus atos por essas bandas e vice-versa. Mas no Brasil, país republicano, de maioria cristã, a religião ainda é usada como meio reprodutor da casa grande e senzala. É nisto que persisto.

O cristianismo padece de críticas por estar numa posição hoje de opressor das religiões afrobrasileiras, no contexto em que vivo. Isto não quer dizer que todos os cristãos são assim, contudo aqueles que divulgam mensagens denegrindo a fé trazida nos navios negreiros têm, sim, culpa no cartório, em especial os estelionatários que ocupam horas diárias nas grades das TVs abertas.

Quero ressaltar que não defendo aqui a "propaganda que a Globo faz" do candomblé ou umbanda através da novela Salve Jorge, nem do kardercismo como fizera outrora. Está aí em cima, no meu perfil: agnóstico, que na minha definição idiossincrática significa "tô nem aí pra religião". Mas eu me indigno muito quando a religião ou qualquer outra coisa é usada para diferenciar negativamente as pessoas num estado democrático. Favor não confundir isto como um lamento de quem "posa de vítima", isto aqui é um ato de resistência.

Também não quero usar este espaço como veículo de "proselitismo cético", pois isto é uma contradição em termos, como diria Renato Russo. Agnósticos e ateus não precisam pregar sua descrença, uma vez que não formam uma religião, não necessitam de dízimo, oferta, nem cobram por um trabalho que não o profissional. 

Mas sou sensível à beleza do misticismo, sobretudo quando se realiza como expressão popular (talvez assunto para outra postagem), tal qual na imagem acima.

Infelizmente, a sociedade brasileira ainda não entendeu que há espaço para todos, que existem alternativas ao projeto monocultural do neoliberalismo. Que o protestante, o católico, o sincretista, o budista, o índio fazem todos parte de um fenômeno universal metafísico, fruto da relação limitada entre homem e natureza que a ciência a passos miúdos vem desvendando. O mistério ainda é maior.

Salve à resistência! Salve à diversidade! Salve à coexistência!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Frágil como panela de barro



No domingo, Zema Silva Ferreira, Zulu Fernando e eu visitamos o Povoado Muquém e soubemos de coisas muito tristes para a comunidade. Dividiram-na visando benefícios egoístas, como também, de forma descarada, estão usando o legado do Muquém para vender uma imagem particular como se fosse coletiva. Em miúdos, alguns "artistas" copiam a arte de Dona Irineia e Seu Antonio, enquanto outros usam a comunidade como curral eleitoral. Resultado: o enfraquecimento de um povo que antes teve de lutar por liberdade e agora se distancia mais do mínimo de dignidade possível. Saímos de lá muito tristes.

Arte de Dona Irineia. (Foto: ?)
Na segunda, soubemos da morte de Mestre Caboclinho, ícone palmarino do guerreiro e dos festejos natalinos, que, pelo pouco que sei, não teve seguidores fiéis para levar sua brincadeira adiante. Espero estar errado, para que não aconteça o que ocorreu em Branquinha quando o Mestre Ziza se foi sem poder transmitir seu legado, haja vista que nenhum jovem se interessara pelo guerreiro nem mesmo sua filha.

Hoje, que notícia golpeará nossa cultura?

Até quando nossos artistas, homens e mulheres que carregam nossa identidade, serão vilipendiados pela falta de reconhecimento, tanto da parte do poder público que tem a obrigação de resguardá-los, como também pela maioria da sociedade aculturada? Até quando o povo que herdou o Quilombo dos Palmares terá essa visão turva de que tudo se resume ao mês de novembro? Até quando a baixo autoestima reinará entre aqueles que amam sua cultura, mas "por falta de apoio" se resignam? Até quando a iniciativa privada se negará a devolver o mínimo do que ganham da população que a enriquece?

Estamos atrasados. Pessoas "de fora" vêm a União dos Palmares ensinar dança afro às nossas meninas. Religiosos do candomblé e umbanda ainda transitam quase que na clandestinidade, senão são taxados de "macumbeiros" ou de satanistas. Não há, depois de tanto tempo, um centro cultural que sirva tanto de lugar de ensino quanto de palco decente para a exposição da arte. Artistas locais precisaram peitar organização e músicos "de fora" para garantir seu espaço no palco da praça Basiliano Sarmento mais de uma vez, como ocorreu com a banda Estuário Mundaubeat e Thiago Correia - Quilombola de Sião, ambos com trabalhos autorais totalmente voltados para o doce e o amargo de nossa terra.

Estuário Mundaubeat no Festival Linha de Produção (22/09/12). Foto: Vanessa Mota.

Thiago Correia - Quilombola de Sião. Foto extraída de seu perfil no Facebook.
Estamos atrasados, porque ao invés de fazermos um movimento de continuidade, o que há é um resgate ou mesmo a implantação daquilo que se alinha à nossa história. Não precisamos que ninguém responda por nós à interpelação: "Quem é você?". Porém, permitimos que isso acontecesse. A ajuda que vem "de fora" é boa e sempre será bem-vinda e de extrema relevância. O que é inaceitável é o povo palmarino continuar negando sua história

Nossos mestres e mestras estão terminando suas atividades sem deixar aprendizes e sem público local que os incentive, sem poder transmitir suas paixões. Estão morrendo duplamente, encaminhando-se para o ostracismo do qual é impossível se resgatar.

Fica aqui registrada nossa pequena homenagem ao Mestre Caboclinho, que não conheci nem tive a oportunidade de ver uma de suas apresentações, mas que, assim como Mestre Ziza, com certeza brincou muito e, por tabela, espalhou sua alegria popular por onde passou.

Chega de tragédias, preconceito e desdém. Ainda há tempo para reflorestar o canavial. Como diz o Wado, fortalece aí a nossa cultura, frágil como panela de barro.


domingo, 9 de setembro de 2012

UNIÃO: ORGULHO E VERGONHA NO ÚLTIMO MEIO SÉCULO.

Nos últimos 50 anos passaram pela prefeitura de União dos Palmares 15 prefeitos. Meio século de gestores de todas as ideologias e partidos que deixaram um saldo minguado de realizações. Tão minguado que, em pleno século 21, candidatos ainda usam adjetivos como “mudança” e “avanço” em seu marketing de campanha.
Obviamente que correligionários, puxa-sacos e apaixonados ideológicos pelas sopinhas de letras partidárias vão levantar a voz e dizer que fulano fez a praça tal, beltrano calçou um bairro, e até mesmo dizendo que minha visão é pessimista. Mas vamos por os últimos 50 anos de administração de União na mesa e verificar: O que realmente foi feito nesse meio século?
Há meio século as precárias ambulâncias carregam doentes para a capital, seja para curar um câncer ou uma infecção intestinal.
Há meio século União convive com doenças como esquistossomose, verminoses e tuberculose. Mazelas do século 17, quando a cidade foi fundada. Ou seja, nem nas doenças a cidade se “modernizou”.
Há meio século a Santa Fé vive num estado de miséria vergonhoso, inaceitável e constrangedor para qualquer cidadão que tenha direito às três refeições diárias. Gente tratada feito bicho, cuja única diferença de um animal está no fato de que portam título de eleitor para sustentar a elite. Nada mais.
Há meio século os grupos culturais sobrevivem sem apoio, mendigando um troco para dar uma contribuição crucial com o crescimento social do município, mas que os gestores ignoram para não modificar sua política do pouco pão e circo de péssima qualidade.
Há meio século estudantes se espremem em ônibus para vir estudar em Maceió, com a agravante que nesta última década precisam pagar por isso.
Há meio século os palmarinos vivem ou do trabalho no setor sucroalcooleiro ou do pequeno comércio, que apenas inchou, fazendo milhares de pais e mães de família ratearem meia dúzia de fregueses sem perspectiva de crescimento. 
Há meio século que os palmarinos são “empregados” por um comércio desumano, que rasga as leis trabalhistas, transformando o trabalhador numa máquina automatizada, sem folgas ou tempo para qualificação. 
Há meio séculos pré-adolescentes vivem de “carregos” na feira-livre como forma de sobreviver dignamente, perdendo a infância e juventude, e o pior, deixando a escola em segundo plano.
Há meio século o Roberto Correia de Araújo/Vaquejada incham, se transformando, sob os olhos dos gestores, num verdadeiro mostro urbano tomado pela miséria e pela violência.

Essas respostas são minhas, mas podem ser colocadas na boca de qualquer morador que testemunhou os 50 anos da cidade. Acho difícil discordar que mudança e avanço não estão no dicionário dos gestores de União há décadas. Por isso acho constrangedor, irônico, um verdadeiro acinte, seja qual for o grupo político falar em “mudança”, “avanço” ou qualquer outro adjetivo hipócrita do tipo. 
União não cresceu. Inchou. E “progredimos” sim, mas no pior sentido da palavra, pois já temos drogas, fome e prostituição. Nossa política nojenta de surrupiar os cofres do município inconsequente e desumanamente conseguiu “importar” o que há de pior nos grandes centros urbanos.
Chega a ser chocante constatarmos que esse cenário pertence a um município que recebeu do governo federal, via transferência de recursos, R$ 262 milhões, arredondando-se para menos, somente nos últimos 5 anos. (Dados do Portal Transparência)
União é, e tenho orgulho disso, a terra de Jorge de Lima, Maria Mariá e Zumbi. Mas a luta de Zumbi na Serra da Barriga, um marco nacional, precisa fazer parte do nosso passado, e não permanecer se repetindo no presente das periferias miseráveis de União. A Nega Fulô precisa se transformar de vez em poesia, e não permanecer nas cozinhas nada literárias da atual elite que ainda não se deu conta da Lei Áurea. E para isso, é preciso termos pelo menos, um naco da inteligência e caráter que teve nossa imortal Maria Mariá.
União precisa ser, também, a terra da Josefa, do Cícero, do Antonio, do João, do Marcelo, do Sebastião, da Madalena e de tantos outros que estão escrevendo o futuro de uma terra que ainda não conheceu, de fato, a liberdade.


Autor: Gilson Monteiro.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Classe média, alta sordidez

A classe média é o sustentáculo dos dominantes, senão a mesma coisa. Marx me perdoe se estiver fazendo esta leitura de modo equivocado. De qualquer modo, são os pequeno-burgueses quem ocupam determinadas posições na sociedade que servem de vanguarda, braço-direito etc. aos que estão no topo da pirâmide social. 

São eles quem se valem das famosas carteiradas: "Você pensa que está falando com quem? Eu sou filho de Fulano De Tal!". Ou, em estágio mais avançado, quando já facilmente reconhecidos, pintam, bordam, agridem, espancam, atiram e tudo fica por isso mesmo.

São aqueles que desrespeitam o espaço público e tudo que é público, ou mesmo os tornam patrimônios privados. Que usam as vias urbanas para exibir suas performances em motocicletas e carros envenenados, causadores de insônia.

Eles ainda têm a indecência de xingar* quem se beneficia de políticas públicas, como as cotas e o Bolsa Família, porque acreditam que a universidade lhes pertence e porque jamais passaram fome ou qualquer necessidade. Aludem à meritocracia no caso das cotas, dizem que o Bolsa cria "vagabundos". Mas se negam a enxergar a realidade de um povo que jamais teve acesso pleno à democracia, que literalmente morre na fila do SUS, nosso sucateado e fraudado sistema de saúde.

Essa classe vil de pessoas movidas a desumanidades está em todos os lugares, em todas as cidades e nós tanto as conhecemos quanto reconhecemos.

Pausa. A razão desta postagem é apenas apresentar o vídeo abaixo da professora e filósofa Marilena Chauí, muito conhecida no meio acadêmico pelos livros Convite à Filosofia e O que é filosofia, que, em palestra na USP, analisou a classe média paulista. Percebam como todo o meu furor, além de justificável, não é nada perto dos atos de insanidade desse seleto grupo social.

Aos reacionários, peço: contra-argumentem. Se puderem.


"Que país é esse?" - Renato Russo
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*Xingar aqui não se refere a quem, com argumentos, se posiciona contra tais políticas públicas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Notas #2

Cotas

O sistema de cotas nas universidades/institutos federais é uma das bandeiras defendidas por este blogueiro preguiçoso, por acreditar que o nosso país tem uma dívida histórica com aqueles que ao longo de tantos anos foram marginalizados, seja pela cor, etnia ou condição social. A presidenta Dilma Rousseff sancionou hoje a lei que reserva 50% da vagas em instituições federais para candidatos oriundos de escola pública, sendo a metade para negros, índios e pardos. Permaneceu o critério da renda per capita de um salário mínimo e meio e, como já esperávamos, foi vetado o artigo 2º, que, em caso de aprovação, anularia o propósito do Enem. A implantação do sistema em todas as esferas federais ocorrerá no prazo de até 4 anos. 

Detalhe: durante a votação no Senado, apenas um senador se posicionou contra a lei (ver aqui), Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB-SP...


PSDB que...

...colocou Alagoas em 1° lugar no ranking nacional de violência, e em último no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB*) mais do que já demonstrou que seu único empenho é apenas em construir entulhos. Estamos praticamente às portas de setembro e milhares de alunos da rede estadual ainda não tiveram um dia de aula no ano letivo, devido às intermináveis reformas das escolas. Resultado: o Ministério Público processou o Estado. Tomara que surta efeito, assim como o Programa Brasil Mais Seguro ao menos diminua a criminalidade no estado. Leia o artigo do sociólogo Carlos Martins, que estuda a violência em Alagoas e que recentemente foi vítima da truculência policial, aqui para aprofundar a discussão.

...forçou a Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL a entrar em crise neste ano, provocando a iminente greve da instituição, por descumprir TODAS as promessas firmadas por ele mesmo na presença dos representantes da comunidade acadêmica em novembro de 2011. Veja a entrevista do reitor Jairo Campos ao Bom Dia Alagoas desta segunda-feira, aqui.

Em breve, falaremos mais sobre a UNEAL.


Eleições: muita pÚlitica e pouca Política

Começou a propaganda eleitoral no rádio e na TV, para os veteranos, a campanha começa de fato. Mas o que chama atenção mesmo no interior são os comícios/caminhadas. Neste último final de semana, o senador Fernando Collor (PTB) esteve em União dos Palmares para apoiar o candidato Beto Baía (PSD). Na sua fala, segundo foi divulgado, o senador ateu-se a agredir os opositores de Baía, em especial o atual prefeito Areski de Freitas, o Kil, que também é do mesmo partido. Em nota, o gestor municipal repudiou a atitude do parlamentar. Fica registrado aí a primeira "merda federal**" no pleito palmarino, um exemplo da nossa pÚlitica.

Enquanto isso, quem faz Política sem amarras segue enfrentando os desafios e a deslealdade do poder econômico. Uma lástima. Até quando seremos escamoteados assim?

P.S. 1: Não ouvi o guia eleitoral nem fui aos comícios/caminhadas, portanto, não tenho como comentar as possíveis propostas dos candidatos.

P.S. 2: Neste blog o uso de expressões chulas está parcialmente liberado quando não houver expressão melhor para qualificar um ato. Ou seja, para expressar nossa indignação, jamais para ofender alguém. O bom humor, contudo, é totalmente livre.


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*Sou totalmente contra a política do PSDB por vários motivos: FHC, Serra, Téo, privatizações, sucateamento do serviço público, tragédia do Pinheirinho em São Paulo (janeiro de 2011), pelo desdém com a educação (em SP as escolas públicas estaduais passam por situação semelhante às nossas no tocante ao exagerado número de professores contratados) etc. etc.

**Diz-se de "merda federal" todo ato de extrema irresponsabilidade, no caso do senador, que é um representante federal, o termo se aplica perfeitamente. Concordam?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um coração que bate à esquerda



Gostaria de ser um Janio de Freitas quando crescer, mas tenho paixões demais.

Para quem se interessa sobre o trabalho da mídia, eis aí um exemplo do bom jornalismo tão raro e tão caro à mídia golpista (recém-nomeada de PIG - Partido da Imprensa Golpista). Só pra constar, Janio é colunista da Folha de São Paulo, um dos jornais mais conservadores do Brasil, mesmo assim destoa da diretriz de seus patrões.

As palavras de Janio me tocaram profundamente lá pelo minuto 26, quando responde à pergunta sobre sua ideologia política, pois ele vai muito além do lero-lero de azul X vermelho e de forma sucinta ele se declara a favor do povo, nas suas palavras, os "movimentos sociais em geral", posição distinguida como esquerdismo.

Apesar de eu defender o governo Lula/Dilma em muitos aspectos, bem como não aceitar tantos outros dos mesmos, não sou petista nem filiado a qualquer outro partido. Como o nobre jornalista, eu me identifico com a causa dos movimentos sociais, seja a dos trabalhadores sem salário da Usina Laginha ou do povo da tragédia do Pinheirinho em São Paulo, sinto empatia por cada pessoa que sofre opressão e me indigno constantemente. Se os causadores desses ultrajes em geral são do PSDB ou do DEM, paciência, não pedi para serem eles.

Esquerda/direita são denominações, ao meu estreito modo de ver, insuficientes e maniqueístas demais para denominar este ou aquele partido na atual conjuntura política brasileira. No entanto, se quem aposta no neoliberalismo ainda é denominado de direita e/ou centro e quem é contra de esquerda, sou de esquerda. Isto transparece claramente nos meus textos publicados neste blog, em cada retuíte/compartilhamento que faço nas redes sociais das matérias de Carta Capital (@CartaCapital), do hilário José de Abreu (ator global e petista roxo - @ZehdeAbreu), através das charges do Carlos Latuff (@CarlosLatuff), em cada provocação etc. etc. Sempre tendo o cuidado de não ofender a integridade das pessoas, mas de debater ideias e gerar dialética.

Tento ser o mais otimista possível, entusiasmo-me com políticas públicas como o sistema de cotas e fico deprimido com a situação das escolas públicas, em especial as alagoanas, e não amenizo críticas ao governo Dilma pelo tratamento dado aos professores das universidades federais. Então, como manter o otimismo sempre em alta? Somente sonhar não basta, mas preservo a esperança, porque sempre precisamos de ao menos uma faísca para acender o fogo.

É uma posição muito arriscada ser de esquerda com tantas tramóias que os donos do poder são capazes de efetuar, ou das traições mais improváves acontecerem (os palmarinos viram isso muito bem esses dias), contudo ser covarde, não se posicionar, isso sim, é vexatório. Mudar, às vezes, além de conveniente, é necessário, porém não mudar pra pior, claro. 

Manter-se coerente aos princípios no decorrer dos anos tem exigido cada dia mais e isto está ligado à condições financeiras, que no meu caso é independente de qualquer favor que não o do meus pais. O "fácil" é tentador, sempre, jamais irrecusável também.

Sobretudo, sou a favor do ser humano, acredito que não preciso explicar o que isso significa. Sobretudo, ainda estou aprendendo sobre tudo, do amor à política.

Meu coração bate à esquerda e não poderia ser diferente, não depois de ver em tão pouco tempo de vida tanta injustiça provocada pelos coronéis e doutores de direita da nossa terra, não depois de ser enganado durante anos pela Globo, Veja e cia., únicos meios de informação a que tive acesso durante anos, nem depois de começar a ler o mundo, como aconselha Paulo Freire.

E, por fim, não sigam meu exemplo, sigam o de Janio de Freitas.

sábado, 11 de agosto de 2012

50% mais felizes



Voltamos ao tema das políticas afirmativas, neste caso, novamente o sistema de cotas das universidades federais e, doravante, dos institutos (antigas escolas técnicas/cefet’s). Leia o texto do companheiro Paulo Veras, que instigou esta postagem, concebida a princípio como um comentário em seu blog.

Pela história brasileira e seus desdobramentos malignos na vida de quem ocupa hoje posições inferiores na pirâmide social, apoio plenamente o sistema de cotas raciais e igualmente as sociais. De acordo com o projeto de lei 180/2008 a ser sancionado (creio que não na íntegra) pela presidenta Dilma Rousseff, outros requisitos foram inseridos ao sistema de cotas: para ter direito às reservas o candidato tem de comprovar ter cursado em escola pública integralmente o ensino médio e não ultrapassar a renda per capita de 1,5 salário mínimo.

Alunos de escolas privadas serão prejudicados? Ora, se podem pagar as caríssimas mensalidades para estudar nelas, também poderão arcar com as despesas de uma faculdade privada. Portanto, como saem perdendo aqueles que historicamente utilizaram a universidade pública como nicho privado? 50% das vagas ainda “serão” deles.

Agora, com a mescla dos tantos fatores, há uma ampliação da justiça social que o Governo Federal pretende realizar. O valor per capita reflete muito bem aquilo que vejo diariamente: famílias inteiras sobrevivendo com dois salários mínimos ou menos que isso. Negro rico? Isso é tão difícil de encontrar que nem nas colunas sociais aparecem, exceto as celebridades.

Sim, é uma injustiça que alguém fique de fora por ultrapassar minimamente o 1,5 salário per capita, todavia qual comissão avaliadora se prestaria a tão ignominiosa “retidão”? (Muitas, mas sejamos otimistas).

O sistema tem brechas, que com o mínimo de decência devem ser corrigidas com o tempo. A demanda será enorme, aumentará a responsabilidade das instituições, os gastos e, quiçá, exigirá mais tempo hábil para desenrolar todo o processo seletivo. Nenhuma missão impossível, contudo.

O artigo 2° é um verdadeiro samba do crioulo doido. Se aprovado, será um retrocesso para o Enem, que antes não servia para exatamente nada, tanto que nunca o fiz e muitos do meu tempo também. O vestibular/Enem não deixam de ser cruéis, mas seguir o modelo americano é algo inviável, geraria um personalismo pior do que o há na terra do Mr. Sam (que não é meu tio!).

A questão da escola pública deficitária sobressai-se a tudo isso. Sem um ensino fundamental bem fundamentado (com a licença da redundância) as cotas sejam de qual tipo for jamais atingirão seu objetivo. Medidas reparativas não dirimem a necessidade urgente de resolver os problemas da educação, que vão muito além de salários melhores para os professores.

As cotas, como bem colocou o Paulo, são temporárias, do contrário perderiam legitimidade. Já dizer que as universidades terão déficit qualitativo, como andei lendo e como argumentam alguns pequeno-burgueses, é de uma vileza sem tamanho. É preconceito latente, não vale a pena nem discutir com tais “cidadões”.

O Estado brasileiro está devolvendo as universidades e os institutos federais ao povo pé-no-chão e desdentado que hoje se beneficia de outras políticas públicas, como o Bolsa Família e o Brasil Sorridente (Tcham!). Não está com isso minando o privilégio nem a igualdade, esta que nunca passou do papel, pelo contrário tenta equalizar as coisas.

Nossos meninos e meninas certamente se encherão de esperança com mais esta boa nova. E ficarão 50% mais felizes.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vereadores e vereáveis invariáveis

Espanta-me a cada pleito eleitoral municipal a quantidade de pessoas que se dispõem à sociedade para ocupar um cargo público, mais especificamente o de vereador. Ocupação de prestígio social e de alta responsabilidade para com a coisa pública.

Pelo número sempre crescente de aspirantes à vereança, deduz-se que tal prestígio é um objetivo muito perseguido e almejado. Afinal, seu nome será lembrado pelo locutor oficial do município em eventos públicos, receberá um bom salário e outras benesses que 99% da população jamais terá acesso. Toda essa mordomia não é gratuita em face das obrigações (tão escamoteadas) que um vereador possui. 

Por isso, espanta-me um pleito com tantas pessoas aptas a gozarem dos confortos, mas que não têm qualificação nenhuma para exercer a função de legislador e fiscalizador da gestão municipal, ou seja, de acompanhar com afinco os mandos e desmandos do poder executivo.

Feitas as convenções partidárias, os nomes de alguns vereáveis são de causar riso e mais que isso, desconfiança. A começar pelos analfabetos e semianalfabetos que foram reprovados ou fugiram da prova de proficiência em leitura e escrita realizada pela Justiça Eleitoral; aqueles que se afastam do serviço público não para ampliar sua contribuição à sociedade, mas para ficar pouco mais de 3 meses em "berço esplêndido", causam desconfiança igualmente aqueles que só querem "aparecer". 

Esses e aqueles outros tipos não resenhados aqui, todos sem perfil algum para enfrentar os manejos do legislar e fiscalizar, cujos históricos  não demonstram o mínimo de compromisso com a sociedade, nem sequer possuem habilidades e conhecimento para representá-la.

Ah, não nos esqueçamos dos vereadores eleitos que em 4 anos não se ocuparam de suas demandas satisfatoriamente, nem daqueles que há décadas esquentam as poltronas a cada sessão da câmara, os "vereadores profissionais", que fazem da função pública meio de vida.

Todos esses tipos não merecem um voto sequer, que dirá falar e agir em nome dos anseios da população. Na verdade, não estão lá para isso nem os aspirantes ineptos estarão, porque esses aí que estão atravancando o caminho do povo sem dar passagem (Quintana me acuda!) estão lá em causa própria, fazendo do Estado uma extensão de seu quintal familiar (agora é com você, Sergio Buarque de Hollanda!).

Vereadores e vereáveis repetem os tipos que a sociedade não precisa, pois requer-se agentes públicos que não se eximem dos seus atributos, que não seguem cartilhas nem canalizam forças apenas para o seu nicho eleitoreiro.

Legislar e fiscalizar não são tarefas banais. Pense nisso, (e)leitor.

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Observação: Neste ano (não lembro se em 2010 foi assim) a Justiça Eleitoral determinou que haja uma porcentagem mínima de candidatas na composição das chapas. Isto fez com que esposas, filhas, primas e correligionárias se candidatassem a vereadoras, porém, como "laranjas", já que não farão campanha, não pedirão votos para si etc.

Um recado para as meninas: não esqueçam de fazer a prestação de contas da "candidatura".

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Já é madrugada...

Quase um mês de campanha eleitoral e os candidatos ainda se apresentam timidamente. Segundo os políticos veteranos, julho é um mês "frio" mesmo. 

Porém, as ruas já estão tomadas de propaganda dos mais diversos tipos, de paródias musicais (com rimas ridículas, a propósito), alardeadas às alturas, a toda sorte de adesivos, "santinhos", propaganda via redes sociais e performances cover de Raul Seixas e Roberto Carlos.

Mas propostas que é bom, nada!

Caminhadas e mais caminhadas, só, das majoritárias.

"Segundo uma fonte", como diria aquele jornalista sem palavra, a oposição tem usado este "silêncio" como estratégia para dar "gás" na reta final.

Dos candidatos a vereadores poucos demonstram perfil para o cargo. Quem é jovem aposta na juventude, quem é veterano na tradição e know-how etc

São de uma pobreza sem tamanho. Pobreza no sentido conotativo, claro. E quem perde e continua mais pobre (agora no sentido denotativo) é o povo, cada vez mais vitimado pela ingerência histórica dos seus governantes e pela falta de perspectivas.

O que é incrível é que num momento tão forte da Internet nenhum candidato palmarino ocupou de fato este espaço, nenhum se colocou à disposição de seus prováveis eleitores mais "antenados". Mais uma prova do quanto as coisas continuam iguais e inertes.

Como diria Chico Buarque, em música tema com título homônimo do filme Joana Francesa (gravado em União dos Palmares) na cena clássica do cinema nacional de Cacá Diegues:

Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda!


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Circo sem lona

Política não é para principiantes, diria Tom Jobim. A cada dia o processo eleitoral se mostra mais complexo e hermético. Explico o porquê:

Complexo, porque o emaranhado de alianças, conchavos e "leilões" são fartos, paradoxais e indigestos. Hermético devido ao círculo fechado e excludente que é tudo isso, impedindo ou afastando prováveis nomes de concorrer, em especial, pela chapa majoritária. Pois se há várias lideranças contra a tradição, o mais lógico é somar ao invés de dividir.

Em União dos Palmares, presenciamos na prática a teoria do "dividir para conquistar", estratagema muito utilizado pelos antigos impérios e nações mercantilistas. A oposição mais uma vez, de certa forma, perde para si mesmo. É a percepção pessoal deste blogueiro e observador desatento.

Em eleições passadas, computando os votos da oposição a soma foi maior que o número de votos do candidato vencedor, então a oposição se uniu e formou uma chapa única. Perdeu de novo e agora, com a dissensão entre Beto Baia e Paulinho do PDT (ex-PT), o lado B se enfraque acintosamente.

Enquanto a rádio Zumbi é muito bem utilizada por Manoel Gomes de Barros (Mano), e hoje, dia 20, por Paulinho do PDT (ex-PT), o candidato lado B, Beto Baia, não faz o mesmo, ao contrário, declinou do convite do Programa Mesa Z, capitaneado por Adelino Ângelo e Mário Bispo, em entrevista que ocorreria no dia 5 e sucederia a de Mano feita dias antes.

Hoje Beto Baia teve sua imagem denegrida perante seus eleitores e concidadãos durante a entrevista do já citado Programa Mesa Z com Paulinho do PDT (ex-PT). Alguns correligionários de Baia prestaram solidariedade ao candidato defendendo-o ou atacando a imcompostura do entrevistado, que se mostrou atabalhoado ao apresentar tantas tergiversações para legitimar sua mudança de lado.

E aí, Beto, vai requerer o direito de resposta como um veterano ou permanecerá dócil como um iniciante? (Em tempo, nem todo inciante é dócil. Vide Mundinho Falcão de Gabriela). Seus eleitores, com certeza, exigem uma resposta.

As forças da tradição demonstram a cada oportunidade seu poder de negociação, coesão e seguem confiantes. Espera-se, no mínimo, uma reação dos oposicionistas para o bem do que resta da democracia. Porque do circo nem lona mais resta.

Tom Jobim estava certo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

"Maleducados"

Nós temos uma prosódia muito singular e um dos fenômenos linguísticos mais corriqueiros é pronunciar duas palavras como se fossem uma, tipo "mal educado" que de tanto se dizer "maleducado", talvez um dia entre para o léxico. Todo maleducado é tido como uma pessoa grosseira, rude e não exatamente sem educação escolar. Seguindo esta pequena aula sobre linguística, pensamos, no sentido filosófico, com palavras, compreendemos o mundo através da linguagem, numa acepção ampla que contempla o verbal e o não-verbal.

Então, observando o cotidiano inquietante em nossa ilustre União dos Palmares-Alagoas-BraZil, nenhuma outra palavra se encaixou melhor do que maleducados para qualificar nosso trânsito. 

Estacionamos nossos automóveis sobre o passeio público. Paramos em cima da faixa de pedestres "ralinha", mal se vê, mas não paramos para que o pedestre atravesse a via. Estacionamos e paramos onde é proibido estacionar e parar, segundo a placa de regulamentação fixada no local, e ainda fazemos da via um ponto de transporte alternativo. Acionamos as lanternas de alerta e a buzina indiscriminadamente. Esta, a qualquer hora do dia ou da noite, e tantas vezes querendo fazer algo análogo à Fórmula 1. Senta o pé, o sinal abriu! Também, ao estacionar, não respeitamos a distância mínima de cinco metros (?) dos cruzamentos, mesmo naqueles de maior movimento, com semáforo inclusive, e onde é proibido, se não me falha a memória novamente, e até perigoso. Por falar em perigo, não é sempre que usamos o cinto de segurança. Guiamos nossas motocicletas com fins de emulação. Um de nós "deu azar" e morreu em decorrência disso esses dias. Ultrapassamos o limite de velocidade e com o sinal vermelho e/ou amarelo, que até meu sobrinho de 4 anos sabe que é errado.Vixe, como somos maleducados! A lista é grande, paro aqui.

Ao leitor que, porventura, não saiba o que é emulação, passeio público nem a diferença entre estacionar e parar, recomendo a leitura do Código de Trânsito Brasileiro - CTB ou se inscrever num curso de formação de condutores.

Sim, somos maleducados e não fazemos nossa parte para que a cidade se torne civilizada, agradável e respeitosa. Muitos não tiveram educação para o trânsito na escola, como meu sobrinho já tem. Muitos sabem o que é certo, entretanto por verem os semelhantes cometendo uma infração sem serem penalizados, seguem o mau exemplo em nome da comodidade pessoal etc. etc. etc. 

MAS, pelo menos alguns de nós, não queremos permanecer assim, maleducadamente. Por isso cobramos a quem de direito via blogs, Facebook, Twitter, rádios ou tête-à-tête, quando há oportunidade. E cobrar é fazer algo, sim, autoridades, é um dever nosso de cidadão exigir as melhorias para nossa cidade. Não se negue a Internet como um palanque verdadeiramente democrático. 

Se a crítica chegou enviesada, atravessada como diz nosso dialeto, deste blogueiro jamais procedeu assim. Sempre pautei minhas palavras com base no respeito, ética e bom senso e nunca as dirigi para o lado pessoal e, sim, ao Poder Executivo, à instituição. Não se ofendam, lembram deste texto? Ademais, minhas críticas sempre se basearam em constatações diárias. Minhas, não, nossas reclamações visam apenas o bem estar social, que por consequência se reflete em bem estar pessoal. Acredito que isto, sim, significa fazer política deveras.

A Superintendência Municipal de Trânsito e Transportes - SMTT é um dos instrumentos centrais nesta desejada organização do caos que é o trânsito palmarino, em especial, nos dias de feira livre. E está em mãos de uma pessoa que conhece o CTB a fundo, não é um leigo. As coisas estão se encaminhando, após tanto tempo.

Esperamos, mais uma vez, que esse fisiologismo, essas "picuinhas" sejam superados e que cada um, autoridades e sociedade, contribua para melhorar os nossos dias. 

E chega de mimimi.

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Atualização fotográfica:

  

Obs.: Doravante, sou um blogueiro perigoso: comprei um smartphone com acesso à Internet... e com câmera!
Registros feitos entre 07 e 13 de julho de 2012, no Centro de União dos Palmares.



terça-feira, 10 de julho de 2012

Status quo

Autoria: Angeli.
Não tem jeito, até findar o processo eleitoral este será o assunto mais desinquietante do nosso humilde blog.

Passado o dia 5 de julho e definidas as chapas concorrentes, percebemos pouca "anormalidade". Em União dos Palmares, talvez, o menos esperado fosse que o empresário José Clemente integrasse a chapa de Manoel Gomes de Barros como vice-prefeito, dado que seu envolvimento em política partidária anterior fora, no mínimo, discreto. Nas circunvizinhas Branquinha, Murici, São José da Laje e Santana do Mundaú o quadro se repete: as mesmas caras de sempre no pleito.

Segundo a voz de alguns "patronos", é a tradição. Sei... Uma hegemonia que se perdura desde... desde tanto tempo que, pra não errar, podemos dizer: desde o descobrimento do Brasil, pois o clima é mesmo de estar numa capitania hereditária.

Pena que há poucos com disposição para fazer as vezes de holandeses. Ou melhor, insurgir-se tal como os negros. Enquanto avistamos escassos pontos luminosos no fim do túnel, o poder de decisão vai se revezando entre as mesmas mãos. E o povo sofrendo os mesmos flagelos.

Não reforço o discurso de que essa situação é "culpa do povo que vende seu voto", assim de modo tão raso e peverso, para explicar esse rodízio do poder. É fácil culpar quem está a margem do sistema e omitir-se. Por que quem afirma isso não faz o movimento inverso de questionar a razão do povo pobre vender seu voto? Ou, então, o que esses do discurso minimalista têm feito para ajudar o povo a tomar consciência do real valor do "sufrágio universal", além de votar nas "pessoas certas"?

Mutilado socialmente, o povo não tinha meios muito plausíveis para se rebelar. Hoje isso começa a mudar com a ampliação do acesso à educação superior (ainda que não do modo ideal), aos meios alternativos de comunicação, menor depedência econômica e um certo "cansaço", como o daqueles que invadiram as casas do Programa da Reconstrução em União dos Palmares, no sábado dia 7.

Numa democracia, o voto continua soberano. Nós, povo, só temos este recurso contra toda a estrutura, contra toda a tradição se pensarmos diplomaticamente, o que para mim é sempre a primeira opção. Outra arma é a insurreição seja via movimentos sociais ou não, o momento histórico é quem decide isso.

Agora, outra questão se impõe. Diante do pleito atual, sem grandes alternativas, sem uma iderança legítima que cative as pessoas e as preencha do sentimento de mudança, o que fazer? Votar nulo? Existe "candidato menos ruim"? (Salve, Angeli!)

Triste ver que pouca diferença poderá acontecer a depender das pessoas que se colocaram à disposição do povo para governá-lo, dispostos apenas a manter o status quo. Enfim, faço a última pergunta deste texto:

Por onde anda nossa iconoclastia?



domingo, 1 de julho de 2012

Convenções e divisões

Quanto mais se aproxima o prazo final para a efetivação das candidaturas, mais o ambiente se esclarece. Ou, no caso da oposição em União dos Palmares, enegrece. 

Dividida, a oposição abre um caminho menos dificultoso para o candidato da situação, como também cria problemas para os candidatos às 15 vagas no legislativo municipal, que terão de angariar um número maior de votos para serem eleitos.

Os grupos de oposição saem perdendo no momento. Claro, nada está decidido e não podemos desmerecer o eleitor, por mais frágil que seja. Nada que uma pitada de revolta com esperteza na cabina de votação não resolva.

Neste capítulo, pudemos perceber qual será o nível do jogo: catimbado, como o futebol dos hermanos, mas aplaudido euforicamente por uma plateia marcada no peito, nas coxas, onde for conveniente pôr o adesivo do "hômi".

Outra coisa que fica cada vez mais obscura é a total falta de projetos. Nas convenções por que passei rapidamente só se ouvia bajulação de um lado para outro. E maldizeres contra os adversários. Leia aqui.

A impressão que se tem é que o "carisma" ou o "trabalho" de anos atrás basta para convencer o eleitorado.

Sei...

Serão bem interessantes os discursos durante a campanha, ainda que nada originais. De um lado, a situação enaltecendo seus feitos. Do outro, na trincheira dividida, as críticas de praxe à situação, entretanto, como se atacarão mutuamente?

Por fim, teremos mais surpresas antes da oficialização das candidaturas? Haverá tempo suficiente para mais convenções e divisões?

O eleitor que abra bem os olhos.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Não veta, Dilma!

Há muito tempo a bandeira dos 10% do PIB para a educação vem sendo levantada. Uma das tantas boas determinações da Constituição Federal de 1988 que não são postas a cabo.

A matéria aprovada pela Câmara Federal esta semana é daqueles projetos que têm um objetivo nobre, porém que requerem manejos políticos diligentes e um enorme esforço de gestão. Dilma Rousseff corre o risco de tomar uma medida extremamente antipopular se não sancionar os 10%, caso tal percentagem prevaleça no Senado. Somado a isso está a atual crise no ensino superior e as trapalhadas do MEC. 

Haja pepino, batata, abacaxi... Mas quem governa tem de saber alimentar o fogo.

Outra coisa: o projeto em si já é um tanto azedo ao incluir o condicionador "gradual", mas (odeio admitir) é algo necessário. A economia mundial passa por recessão e, como bem sabemos, a nossa também anda meio capenga, com crescimento abaixo das metas etc.

De qualquer forma é uma vitória e um alento. Um país que não investe em educação simplesmente estagna, continua reproduzindo o modelo colonial de exportador de matéria prima, ao tempo em que importa produtos acabados e bem mais caros. 

Aprendi isso nas aulas de Geografia. Obrigado, mestres!

Agora é esperar o posicionamento dos senadores frente ao projeto e contar com a coerência da presidenta com seu discurso de campanha, quando prometia maior atenção e investimentos em educação. 

Sinceramente, tenho mais fé na Dilma que nos legisladores, não creio que ela quererá manchar sua gestão vetando o projeto. Seria desastroso para sua história e para a nação.

Afinal, educação é algo que trará maiores retornos ao Brasil que a nefasta Copa do Mundo de 2014...

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Para complementar, recomendo a leitura do texto do companheiro Paulo Veras.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Democracia impedida


Há poucas horas foi deflagrado um golpe de estado operado no Paraguai que destituiu Fernando Lugo da presidência do país, em tempo recorde, menos de 48 horas, que sequer garantiu amplo direito de defesa ao acusado. Um clara demonstração de que a democracia latinoamericana coninua frágil e à mercê do poder econômico, a saber, os latifundiários, maioria absoluta do congresso paraguaio. 

(Para entender mais afundo leia estes artigos aqui e aqui.)

Lugo, ex-bispo da Igreja Católica, eleito democraticamente pelo povo paraguaio, interrompeu o reinado do Partido Colorado que há 60 anos dominava e afundava o país. Sofreu vários ataques desde que assumiu a presidência em 2008, muito em virtude de seu apoio aos movimentos sociais e por ter em seu programa de governo a polêmica reforma agrária.

Aqui no Brasil temos uma bancada de deputados federais e senadores em Brasília muito forte, os ruralistas (latifundiários que outrora chamaríamos de coronéis). Estes formaram frente contra a PEC do Trabalho Escravo que visa desapropriar áreas onde for constatada tal prática ilegal. Com certeza, João Lyra é contra, só pra ficar num exemplo próximo.

No mesmo lado da trincheira dos ruralistas está a mídia, sempre pronta a difundir escândalos e provocar o desgaste da imagem àqueles que não compactuam com seus sórdidos interesses. Já vimos do que ela é capaz, principalmente quando tem o suporte dos EUA, que já reconheceu o novíssimo presidente paraguaio e que no passado financiou TODOS os golpes de estado na América Latina, inclusive poucos anos atrás na Venezuela. E não esqueçamos de Honduras em 2009.

Nesta noite a Rede Globo, através de seu principal informativo, o Jornal Nacional, demonstrou que é mesmo chapa branca, ou seja, para tal instituição, foi um impeachment e não um golpe o que ocorreu no Paraguai. Mostrou apenas Lugo, omitindo canhestramente quem são seus opositores, gente do mesmo tipo apoiado por ela aqui no Brasil.

Imaginem o tamanho do desafio de um/a presidente/a brasileiro/a para colocar em curso a Reforma Agrária se nem a Reforma Política passou ainda? Já perceberam o tamanho do fuzuê toda vez que o governo fala em regulamentação da imprensa?

Um novo golpe de estado pode ocorrer em momento oportuno no Brasil, onde a democracia tem pre$$o. 

Fiquemos atentos.

Quanto aos irmãos paraguaios, esperamos que os organismos internacionacionais ajam também rapidamente em prol da democracia e que Fernando Lugo retorne ao seu lugar de direito.

FUERZA LUGO!


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Conchavos fisiológicos

Falta bem pouco para a política pegar fogo, o que dependendo da região ou situação pode ser entendido de forma literal. Por enquanto, são apenas suposições e fechamentos de alianças. É o tempo dos conchavos fisiológicos que regem os jogos do poder em nosso país.

As polêmicas já são muitas, explodem na mídia e são "debatidas" nas redes sociais. A mais alarmante versa sobre a aliança entre o PT de Lula e o PP de Paulo Maluf na disputa pela prefeitura de São Paulo-SP. Isso revoltou boa parte dos militantes petistas e fez Luiza Erundina (PSB) declinar do posto de vice na chapa.

Então, em meio ao regozijo dos centro-direitistas e esquerdistas do PSOL, uma notícia, no mínimo, azeda para este último: PSOL, PSDB e DEM juntos em Resende-RJ.

Em União dos Palmares-AL, testemunhamos o pré-candidato a prefeito Jaiminho Vergeti (PP) elogiar publicamente, através das inexoráveis ondas do rádio, seu potencial adversário, Manoel Gomes de Barros (PSDB). Tudo ainda está em meio à surdina, aguardemos as próximas cenas e a trilha sonora.

Surpreso? Um pouco, por ser neófito nesses assuntos, porém nem tanto em nenhum dos casos citados. Depois de um tempo essas coisas acabam se tornando corriqueiras. Por isso a militância é tão urgente.

A reforma política tão esperada não veio, verticalização é algo que não "cola" na atual conjuntura e as forças da tradição e do capital se impõem implacavelmente na luta pelos seus desígnios enquanto o eleitor, principal elo dessa corrente, com raras exceções, desperta de seu berço esplêndido.

Tais grupos hegemônicos procuram sempre atrair mão-de-obra para a sua seara: "Venha para o lado negro da força". Ou estão sempre assumindo a "paternidade" de outrem para encurralá-los: "Eu sou seu pai" (traduzindo: "Eu dei emprego a/o você/seu parente"). O objetivo é sempre o mesmo: explorar para conquistar o poder. Dividir e enfraquecer os rivais. Confundir  e enganar o povo.

E aí, eleitor, vai continuar lavrando a seara sem ter parte na colheita?


sexta-feira, 15 de junho de 2012

A volta da Esperança

Já faz três noites que pro norte relampeia...

Minha mãe chegou esta semana em casa dizendo que compraria um par de sandálias para um menino da escola pública onde ela trabalha como professora, que estava sem frequentar as aulas por falta delas e cuja mãe estava preocupada, porque um número determinado de faltas por mês interrompe o fornecimento do benefício social oferecido pelo Governo Federal, o famigerado Bolsa Família. Pais desempregados, esta é a única fonte de renda da família, que ainda tem mais dois filhos.

Os programas de assistência social sempre foram alvo de críticas da oposição, especialmente após a ascensão do Partido dos Trabalhadores à presidência da República, responsável pela sua ampliação e, por que não, consolidação. E, obviamente, um Bolsa Emprego Digno seria infinitamente melhor que o Bolsa Família, no linguajar pejorativo, o "Bolsa Esmola".

O detalhe mais importante é que, afastado tudo o que poderia ser e não foi, o Bolsa Família está permitindo a sobrevivência de milhões de brasileiros, seja em meio à seca no sertão ou diante da velhacaria dos usineiros na zona da mata, ou nas cidades onde simplesmente "não há vagas".

É muito fácil, de barriga cheia e bem vestido, dizer que Lula foi um presidente assistencialista, como eu mesmo já fiz. Hoje, ao ouvir relatos como o de minha mãe fico menos triste, por saber que o menino terá algo para comer quando poderia não ter absolutamente nada sem a intervenção do Estado.
Cena do filme Vidas Secas. Eles caminham porque têm esperança. 

Outros programas também compõem um conjunto de ações relevantes às melhorias de vida do povo brasileiro, como a aposentadoria rural por idade, o Luz Para Todos e o aumento significativo de servidores públicos nos pequenos e médios municípios.

Antes que digam, este texto não é uma homenagem ao PT nem ao Lula, mas tão somente um reconhecimento da feitura de algo necessário. Algo que está salvando vidas e possibilitando sonhos. As pessoas simples de nossa terra voltaram a ter esperança.

Os centro-direitistas nunca entenderão, ou melhor, "engulirão" os avanços sociais que o Brasil logrou nos últimos 9 anos e meio. Poderia fazer mais? Não sei, então pergunto: o que você faria se fosse presidente/a de uma nação riquíssima onde seus compatriotas passam fome? Levaria primeiro uma escola ou alimento? Às vezes, um sem-teto nos pede um prato de comida e damos. Se pudesse alimentá-lo três vezes ao dia sem diminuir sua riqueza, você negaria?

Estou apelando mesmo e não me importo.

Como diria Luiz Gonzaga, o curral da miséria abriu-se e a fome está passando. Falta muito ainda até alcançarmos um patamar mais próximo do ideal humanista. Mas poderia ser pior...

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Adendo: Bolsa Família reduz violência, aponta estudo da PUC-Rio.
Ou seja, é aquilo que sempre se repetiu: quando a desigualdade social diminui os demais fatores adversos (violência, crime etc.) tendem a cair também.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

COMENTÁRIO PARA A POSTAGEM SOBRE O MOVIMENTO UNIÃO PELA PAZ NO BLOG A PALAVRA, DE IVAN NUNES




Ivan, estou usando um espaço no blog pra fazer alguns esclarecimentos a você e aos seus leitores quanto aos fatos relatados na matéria.

Em primeiro lugar, deixo claro que falo por mim, que faço parte do “Movimento União Pela Paz” desde o dia em que resolvemos nos reunir e manifestar a nossa indignação com o crescimento da violência e com o “cruzar de braços” das autoridades competentes no município e no Estado.

Você, como jornalista, sabe bem da situação em que a cidade se encontrava e que, infelizmente, ainda se encontra. Sabe tanto que, por várias vezes, fez questão de expor cérebros esmigalhados pra mostrar como estamos vivendo feito bárbaros!

Em segundo lugar, gostaria de parabenizar a matéria, que apesar de alguns erros gramaticais, do sensacionalismo e de alguns dados equivocados fez o favor de colocar o “Movimento União Pela Paz” em evidência de novo. Hoje mesmo eu dei entrevista ao programa Show de Notícias, da Rádio Farol. Estava até com os olhos cheios de remela (kkkkkkk), mas isso não vem ao caso. ABAFA!!!

Quando falei sobre dados equivocados é porque você publicou que eram 18 vítimas. Na verdade, até antes da última morte o número certo era 19. Outro equivoco é quando diz que a placa está abandonada. Não é verdade. O próprio grupo é quem custeia as eventuais despesas do MUPP, entre elas as da atualização da placa. Por isso, ficou acordado que a atualização seria feita 1 vez por mês. Já estávamos pronto para atualizar com o número 19, mas aí ocorreu mais uma morte...

Outro erro que você insiste em cometer é quando se refere ao MUPP como um movimento político para eleger o Sérgio Rogério. Somos um grupo político, SIM. Afinal, viver em sociedade, viver organizado seja em um movimento, uma associação ou qualquer outra agremiação é fazer política. Principalmente, quando são pra exigir os seus direitos e ajudar a população. O QUE NÃO SOMOS É UM MOVIMENTO POLITIQUEIRO PARA ELEGER NINGUÉM. Mas em relação ao Sérgio, pro seu desespero e de muitos, torço pra que ele se eleja. E não tenho vergonha de dizer isso.

Ivan, meu querido (sabe que gosto de você, até falei na rádio Zumbi. Num foi?), em vez de sair escrevendo tudo o que vem à mente e, assim, informar os seus leitores de forma errada busque as informações primeiro. O movimento continua, não está em evidência porque alguns trabalhos são mais silenciosos. Desde o final da “Caminhada Pela Paz”, 6 de março, onde conseguimos atrair a atenção da mídia nacional (MENOS A SUA) fizemos outras ações. São elas: Fórum de Discussão Sobre a Violência, com a presença de advogados, policiais, membro do Fórum Nacional da Violência, estudantes... MENOS VOCÊ; palestras em escolas (outras serão marcadas com a presença de policiais); e fazemos parte, com 2 vagas, do recém-criado Conselho Municipal de Segurança de União dos Palmares. Convite feito pelo juiz Ygor Figueiredo.

Antes de você querer dizer uma piada e expor o meu e-mail, como faz com quem vai contra o seu pensamento, eu o deixo aqui: cremozema@hotmail.com, bem como deixo meus números de telefone 9381-0242 e 9693-8774 para quem quiser entrar em contato comigo para algum esclarecimento, elogio, reclamação, xingamento ou pra dizer que eu SOU LINDO!

Bom, vou ficar por aqui. No caso de você não querer publicar o meu comentário, ou editá-lo, vou te avisando que vou publicá-lo no Facebook.

Abraços,

ZEMA.

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O comentário do Zema foi direcionado ao jornalista Ivan Nunes, mas serve para muitos profissionais do jornalismo palmarino que envergonham a classe ao sequer averiguarem a veracidade das informações com "suas fontes" em muitos casos, e ao fazerem especulações baseadas apenas nas concepções daqueles que assinam suas carteiras. Obrigado, Zema, você disse tudo o que  pretendíamos dizer, só que melhor. (10inquietos)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O poder de enganar

Autoria: André Dahmer, do Malvados.
Antes de tudo leia este texto esclarecedor de Roberto Amaral, publicado no site de Carta Capital, cujo título é: Na contramão da História.

A imprensa é daquelas coisas que mais me desinquietam. Principalmente a que pratica o mau jornalismo, a que mais desinforma e aliena as pessoas. Ainda bem que existe internet e ainda não decretaram a extinção total do livro em papel. Também não é o caso de querer que todas sejam iguais, a divergência é, além de necessária, salutar. E essa de neutralidade, cá entre nós, jamais existiu. 

Nesses últimos quinze dias fiquei muito incomodado com a Gazeta de Alagoas, veículo de propriedade de Fernando Collor e maior jornal impresso em circulação no estado. Motivo: a publicação de uma matéria de três laudas completas "sobre" a aprovação da constitucionalidade das cotas pelo STF, no dia 06/05 (páginas de 8 a 10 do caderno A). O que deveria ser "sobre" acabou se tornando uma enxurrada de declarações de "especialistas na área" acintosamente contra as cotas raciais. Um texto todo emendado por citações e paráfrases. 

Vindo de um jornal de caráter conservador (pra não dizer outra coisa) era de se esperar. Na terceira lauda de tal matéria para dar ideia de isenção, consta um depoimento de uma aluna que conseguiu entrar na UFAL mediante o sistema de cotas e uma espécie de relatório feito pela Profª Clara Suassuna, da mesma UFAL, falando do funcionamento e resultados obtidos até então.

O mais interessante disso tudo foi a ironia da Gazeta de Alagoas, logo após se posicionar contra tal assunto e na página 11 seguinte à matéria: uma lauda inteira de publicidade de um centro de oftalmologia parabenizando seus 39 doutores. Todos brancos. E felizes, claro.

Como disse o companheiro Zema no Twitter: "E essa história de pobre se formando doutor... AS ELITE PIRA!".

Não preciso mais me posicionar a favor das cotas, já o fiz neste blog. Trata-se apenas de mostrar a postura alienante desse veículo hegemônico em Alagoas ao tratar de um tema tão polêmico. Imagino, agora, os malabarismos editoriais à época do impeachment de seu dono...

Autoria: Carlos Latuff
O mau jornalismo é uma prática nacional e como por muito tempo não teve adversários ou os censurou e sabotou, permanece forte. São raras as pessoas que sequer desconfiam do "inexorável" Jornal Nacional ou qualquer outro da eterna chapa-branca Globo. Vale lembrar também de outra mídia conservadora e anti-povo, a revista Veja, que sempre se empenhou em defender a liberdade de imprensa, desde que ninguém soubesse de seus Cachoeiras... 

Os exemplos se multiplicam na esfera do "quarto poder", alguns bem explícitos. Como o caso da Folha de São Paulo, em 2009, sobre a ditadura militar no Brasil. Vide a charge ao lado.

Ah, e quem nunca se iludiu com o narrador de futebol pelo rádio?! A bola passa looonge do gol, mas ele com tamanha emoção afirma que passou raspando! Mas a gente bem sabe que a vida não é só futebol. Há muitas jogadas escondidas por trás das câmeras, computadores, impressoras etc., muitas táticas de retaguarda que nem o Muricy Ramalho aprovaria.