quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Gosto do Lula, mas...

Gosto do Lula, sempre gostei mesmo no tempo em que diziam que ele iria pintar a bandeira nacional toda de vermelho e poria o símbolo do comunismo no lugar das estrelas, mesmo que dissessem que ele e os militantes do PT eram comedores de criancinhas. Mais do que do Lula, eu gostava do Enéas (R.I.P.). Gosto do Lula, porque, na maioria das vezes em que aparecia em público como presidente, ele estava rindo, contando piadas, falando na linguagem do povo. Mas não votei nele na disputa pelo segundo mandato. Pois fiquei pasmado com o escândalo do mensalão e aquela história de "governabilidade" que não me convence. Fora Sarney, Renan e sua turma!

Até hoje não tenho uma opinião definitiva sobre o polêmico Bolsa Família. Mas vejo pelo lado positivo, pois conheço muita gente que não passa por piores condições de vida devido a assistência do programa, o menino vai à escola nem que seja para estar de corpo presente e a mãe não perder o benefício etc. e tal. Minha ressalva é que ao invés de Bolsa Família o programa se tornasse em Bolsa Emprego Com Carteira Assinada.

Quase nove anos depois, podemos olhar para trás e afirmar que Lula, esperto, continuou com aquilo que deu certo com FHC, no plano econômico, e o Brasil segue avançando, agora com a Dilma. Em seu governo, a população carente teve uma atenção como "nunca na história desse país". Lula conseguiu agradar a banqueiros, trabalhadores e, principalmente, a nova classe média, gente que após tantos anos conseguiu comprar seu automóvel ou casa própria graças ao equilíbrio econômico desses anos, sem inflação incontrolável e a tesoura do FMI. Na saúde e educação houve avanços significativos. Mas ainda faltam médicos nos hospitais públicos, salário digno para os professores (especialmente dos níveis elementares) e salas de aula confortáveis para os estudantes. Na justiça, muita gente ainda está impune, mas outras tiveram a sorte de receber a visita da Polícia Federal em suas mansões, se estão livres hoje ao menos passaram por um constrangimento histórico.

O povo vê Lula como seu heroi, um pai. Os banqueiros regozijam-se de seus lucros, que só aumentam. A classe média velha torce o nariz, a nova, quer mais um pouco para comprar mais. Que figura esse Lula, hein? Pois bem, o Lula enquanto presidente sempre terá um "mas" na minha cabeça. Já a pessoa pública, não. O cara toma pinga, gosta de futebol, conta piada, se eu o encontrasse numa mesa de bar logo o faria padrinho do meu futuro filho hipotético.

Lula estabeleceu um novo parâmetro de gestão que agrada gregos e troianos. Esta é a minha percepção idiossincrática. Transformar temeridade em confiança não e tão fácil assim e o ex-presidente angariou isso do mundo inteiro. Cometeu erros graves, mas fez o que tinha de fazer. Não deixou o país na miséria e no desamparo. Lembremos que tudo gira em torno do capital, que não nos faltou, embora mal empregado e desviado tantas vezes nas micro-esferas, que é onde a corrupção acontece com mais intensidade.

Agora Lula está no hospital, enquanto escrevo, tratando-se de um câncer na laringe, porque fumou a vida inteira. Seus opositores estão usando as redes sociais da internet para atacá-lo. Argumentam que ele deveria ser atendido pelo SUS. Não pararam para pensar que Lula, ao não se tratar na rede pública, já faz seu mea culpa. Quer maior simbologia que essa? Torço para que ele se recupere o mais breve e inteiramente possível.

E não vou dizer que Lula foi melhor que FHC, porque cada um desempenhou o papel que lhe coube, no momento em que estiveram .

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