segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Consciência incolor (parte 2)

Um silêncio, diriam, no mínimo, ensurdecedor. Um silêncio que rasgou de tristeza minha alma esses dias. 

Estamos a dois dias de findar novembro, o mês da Consciência Negra, quando escrevo estas poucas linhas. E nada demais aconteceu. Explico. Mais um ano e a grande mídia insiste em ignorar o célebre 20 de novembro, e por tabela, União dos Palmares, "berço da liberdade". Neste sentido, amiga, tivemos mais uma consciência incolor. Invisível, sem repercussão.

Vários fatores podem explicar essa indiferença midiática, como a inépcia dos gestores locais e estaduais que não promovem a nossa história e deixam que outros se apropriem dela. Aqui na terrinha, contemplamos novamente os clichês de sempre, desfiles, teatrinhos, gente espalhando informação errada, programação torta, sem logística satisfatória, artistas da terra ignorados, enfim, mais do mesmo. Por isso torno a repetir o que disse via Twitter:

Subir a Serra da Barriga só tem sentido metafísico, porque ver o canavial de João Lyra é uma lástima. (Lástima, gosto desta palavra). 

Se chover, ninguém sobe a Serra da Barriga. (A pé dá pra subir).

"Salvador recebe o título de capital negra da América Latina", noticiou o gigante Jornal Nacional, ao que indaguei: "Como se lá não tem Serra da Barriga?". (Mas têm mídia).

Mas, porém, no entanto, contudo, entretanto, todavia em hipótese alguma isso é motivo para deixarmos de comemorar e celebrar nossa história, Zumbi dos Palmares e todos os nossos ancestrais.

No mesmo 20 de novembro recebi um telefonema de Tocantins, direto da cidade de Aliança, cujo pároco, por desígnios inescrutáveis, é meu amigo. Dentre tantos assuntos em quase uma hora de conversa, perguntei: 

"Como é visto o dia da Consciência Negra aí?". Ele: 

"Olhe, Zé, é aquela coisa, nas escolas os meninos fizeram cartazes..."

Há esperança, mesmo sem o apoio da Globo, para romper esse silêncio. Um dia...

José Minervino Neto

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Para ler a crônica "Consciência incolor" (parte 1) basta clicar aqui.

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